Hoje, 28 de agosto, celebramos a memória de um dos maiores gigantes que já caminharam sobre a terra: Santo Agostinho, Bispo de Hipona e Doutor da Igreja. Como estudante de filosofia e observador atento das inquietações humanas, frequentemente me pego voltando aos textos agostinianos. Não apenas pela genialidade retórica, mas porque Agostinho dissecou, como poucos na história do pensamento, a anatomia da nossa alma.
Ao meditar sobre o Evangelho das Dez Virgens (Mt 25, 1-13) à luz da patrística, deparamo-nos com uma imagem assustadora e ao mesmo tempo libertadora. O que separou as virgens prudentes das insensatas não foi a virgindade moral, nem as boas obras visíveis (a lâmpada), e muito menos a inevitabilidade da morte (o sono que atingiu a todas). A diferença estava em um detalhe invisível, oculto no interior da bagagem: o azeite.
Para Agostinho, esse óleo é a caridade autêntica, a intenção pura do coração. As virgens tolas não tinham óleo próprio porque dependiam do aplauso alheio. A luz delas só brilhava enquanto havia plateia. E é aqui que entramos no drama central da existência humana: o apego desordenado às criaturas em detrimento do Criador.
Aqui no frankmatos.org, costumo refletir sobre como o mundo moderno — com sua hiperconexão e espetáculo contínuo — nos empurra para a dependência da aprovação social. Passamos a vida mendigando "óleo" na praça pública da vaidade. Queremos ser validados, amados e reconhecidos pelas criaturas. O problema, como a filosofia clássica nos ensina, é que as criaturas são finitas, contingentes e mutáveis.
Agostinho fez uma distinção brilhante entre uti (usar) e frui (desfrutar/fruir). Para ele, as criaturas e as coisas deste mundo devem ser usadas como meios para nos levar ao fim último, mas apenas Deus deve ser desfrutado como o fim em si mesmo. Quando invertemos essa ordem — quando tentamos "desfrutar" das criaturas como se elas pudessem preencher o vazio infinito do nosso ser —, caímos na idolatria e na frustração. É a famosa sede que não se sacia com água salgada.
As virgens insensatas basearam a sua luz na opinião das criaturas. Quando o Noivo chegou, na hora derradeira em que a verdade de cada ser é exposta, elas foram enviadas aos "vendedores de óleo" — os aduladores, os bajuladores, aqueles que alimentaram seu ego a vida inteira. Mas, diante do absoluto, o aplauso humano não tem poder de compra. A porta se fecha.
Amar o Criador, por outro lado, é carregar o óleo na própria vasilha. É a paz de uma consciência que não se perturba com os julgamentos do mundo, pois sabe que sua verdadeira luz vem de dentro, abastecida pela graça. Como o próprio Santo Agostinho eternizou no início de suas Confissões: "Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti".
Neste dia de Santo Agostinho, o convite que deixo para nós é o da interioridade. Não tenhamos medo de fechar a porta do nosso quarto, silenciar as vozes das criaturas e examinar as nossas lâmpadas. Onde temos buscado o nosso azeite? No louvor efêmero dos homens ou na aprovação silenciosa daquele que sonda os corações?
Que possamos buscar a verdadeira sabedoria, amando as criaturas no Criador e pelo Criador, para que, quando a meia-noite chegar, a nossa luz não se apague.

Nenhum comentário:
Postar um comentário