terça-feira, 23 de agosto de 2022

A vingança pertence ao Eterno

A vingança pertence ao Eterno
A vingança pertence ao Eterno.

O sábio é aquele que, mesmo sabendo quem lhe fez mal, não busca a vingança, porém através da Theosis entrega-o nas mãos do Dominus Deus Sabaoth, por o justo ser aquele que dar ao outro o que ele merece, segundo os preceitos divinos. 

Então o sábio fica assistindo o ímpio (mesmo este não sabendo que o sábio sabe que foi ele quem lhe fez mal), ser castigado, pois a vingança pertence a Iahweh

Ora, o cristão verdadeiro sempre pagará o mal com o bem, já que é assim a vontade do Eterno

Miserére nobis! 🙏🏻

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Ano Novo do Calendário Católico!

Um Feliz Ano Novo do CALENDÁRIO GREGORIANO (católico), criado pelo Papa Gregório XIII, em 1582, pela bula Inter Gravíssimas! Desculpe-me, mas... respirem aí o CATOLICISMO. Ah! Amanhã é feriado católico... agradeça à Igreja fundada por Cristo... (São Mateus 16, 18-19). Não adianta correr... para onde você olhar, irá ver a Igreja Católica. Inclusive o nome desta cidade (oficialmente), é Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Aceita que dói menos. 🇻🇦

😅😂🤣

Ah! Falando em GREGORIANO, quem cantar hoje o Te Deum, no último dia do ano, do calendário católico, ganhará indulgências. 🇻🇦

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quinta-feira, 12 de agosto de 2021

A Comunhão Espiritual

DA COMUNHÃO ESPIRITUAL

1. — A comunhão espiritual consiste, como diz Santo Tomás, em um desejo ardente de receber Jesus
Cristo sacramentalmente. — O sagrado Concílio de Trento louva muito a comunhão espiritual e exorta todos os fiéis a praticá-la. — O Senhor mesmo muitas vezes manifestou às almas fervorosas quanto este ato lhe é agradável. — Um dia apareceu Jesus Cristo a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Santa Catarina de Senna de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos,
um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. — Em outro dia, disse a venerável Joana da Cruz que, toda a vez que ela dava uma graça de alguma sorte semelhante a que ela recebia nas comunhões reais.

O padre João Nider, dominicano, conta de mais a este respeito em certa cidade, um homem do povo, muito virtuoso, desejava comungar freqüentemente; mas não sendo isto usado no lugar, ele, para não parecer singular, contentava-se de comungar só espiritualmente. Para esse fim, se confessava antes, fazia sua meditação, assistia a missa e se preparava para a comunhão. Depois abria a boca como se recebesse Jesus Cristo. O autor acrescenta que, quando ele abria a boca, sentia vir repousar sobre sua língua a sagrada partícula e experimentava na alma uma extrema doçura. E, uma manhã, para verificar se isto realmente acontecia, levou a mão a boca, e a hóstia lhe ficou segura no dedo. Depois, a tornou a colocar sobre a língua e engoliu. Foi assim que o Senhor recompensou o desejo do seu bom servo.

2. — O Beato Pedro Fabro, da Companhia de Jesus, dizia que as comunhões espirituais ajudam muito a fazer com maior fruto as comunhões sacramentais. É por isso que os santos tiveram o hábito de praticá-la freqüentemente. — A Beata Angela da Cruz, dominicana, chegava até a dizer: “Se meu confessor não me houvesse ensinado a comungar espiritualmente, perece-me que eu não teria podido viver”.

E por isso ela fazia cem comunhões espirituais durante o dia e outras cem durante a noite. — Mas, direis vós, para que tantas comunhões? — Por mim vos responda Santo Agostinho: Dai-me uma alma que não ame senão a Jesus Cristo, e não se admitirá disto. — A comunhão espiritual é muito fácil de se fazer muitas vezes ao dia. Como não exige o jejum, nem o ministério do sacerdote, nem muito tempo, pode-se repetir, cada dia, quantas vezes se queira. É o que fazia dizer a venerável Joana da Cruz: “Ó meu Deus, que bela maneira de comungar! Sem ser vista, nem notada, sem falar ao meu padre espiritual, e sem depender de nenhum outro senão de vós, que, na solidão, me nutris a alma e lhe falais ao coração!”

3. — Aplicai-vos pois também a fazer muitas comunhões espirituais, especialmente durante a oração e na visita ao Santíssimo Sacramento, e, sobretudo, cada vez que ouvirdes missa, quando o sacerdote comunga: fazei então um ato de fé, crendo firmemente que Jesus Cristo está na Eucaristia; um ato de amor acompanhado do arrependimento dos pecados; um ato de desejo, convidando Jesus Cristo a vira vossa alma, para uni-la inteiramente a ele; e, depois disso, agradecei-lhe, como se o tivésseis recebido. Estes atos podem ser formulados assim:

Meu Jesus, que estais vivo real e verdadeiramente no Santíssimo Sacramento. Eu vos amo de todo o meu coração, e porque vos amo, me arrependo de vos ter ofendido. Vinde a minha alma, que vos deseja. Eu vos abraço, meu amor, e me dou toda a vós. Não permitais que me separe de vós. Desta maneira, podeis facilmente fazer as comunhões espirituais que quiserdes.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

À procura da vida interior

A visão imediata de Deus ultrapassa as forças naturais de toda e qualquer inteligência criada, angélica ou humana. Uma inteligência criada pode, em sua atividade natural, conhecer a Deus pelo reflexo de suas perfeições na ordem criada, mas não pode vê-lo diretamente em Si mesmo como Ele se vê.

O anjo e a alma humana só se tornam capazes de um conhecimento sobrenatural de Deus e de um amor sobrenatural por Ele se tiverem recebido este enxerto divino que é a graça habitual ou santificante, participação da natureza divina ou da vida íntima de Deus. Só essa graça, recebida na essência de nossa alma como um dom gratuito, pode torná-la radicalmente capaz de operações propriamente divinas, isto é, de ver a Deus diretamente como Ele se vê e de O amar como Ele se ama. Continue lendo...

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

É permitido a um homem casado servir no altar?

O serviço do altar no Santo Sacrifício da Missa tem tão elevada dignidade que a Igreja consagrou as várias funções do servidor do altar pelas ordens menores. O Hostiário recebe o poder de soar os sinos e de segurar os livros, o Exorcista recebe o poder de despejar água no Lavabo, e o Acólito recebe o poder de carregar as velas e de trazer água e vinho ao altar para o Santo Sacrifício da Missa. Em cada caso, a consagração do clérigo a Deus é simbolizada pelos movimentos exteriores que ele pratica no altar, de modo que o Hostiário dê bom exemplo aos fiéis através de sua vida, para que os chame à oração; o Exorcista dê o exemplo de pureza de alma, e o Acólito dê o exemplo de luz de bondade, justiça e verdade para iluminar os fiéis e a Igreja de Deus, e também de espírito de sacrifício através de uma vida casta e boas obras (cf. Pontificale, Cerimônias da Ordenação)

A adequação do serviço do altar por um clérigo está diretamente relacionada com a sacralidade de sua função, que requer um homem consagrado a Deus. Além disso, é uma função pública, razão pela qual, como São Tomás assevera, “ele assume o papel de todo o povo católico, em cujo lugar ele responde as orações do Padre, que se dirige a ele na forma plural” (III, q. 83, a. 5 ad 12). Consequentemente, é eminentemente adequado que essa função seja desempenhada por um clérigo tonsurado, o qual se tenha, publicamente, revestido “do novo homem, que foi criado de acordo com Deus em justiça e em santidade na verdade” (ibid.), e isso ainda que não haja fiéis presentes.

Portanto, se um clérigo tonsurado estiver presente, ele deve fazer o serviço do altar. Porém, raramente esse é o caso, e, ainda assim, a Igreja requer que haja um servidor do altar. Em sua encíclica de 1947 sobre a Sagrada Liturgia, o Papa Pio XII ensina isso claramente: “É nosso dever e mandamento – assim como mandamento da Santa Madre Igreja –   que, por reverência pela dignidade desse augusto sacrifício, nenhum Padre deve se dirigir ao altar sem um servidor que assista e responda na Missa de acordo com a prescrição do Cânone 813” (Mediator Dei, §97). Esse Cânone afirma, em efeito, que o Padre não deve celebrar sem um servidor (ministro) que o sirva e responda às orações, e, além disso, esse servidor não pode ser uma mulher, exceto no caso de ausência de homem e na presença de justa causa, hipótese em que ela poderá responder às orações à distância e, de maneira alguma, aproximar-se do altar. Nesse caso, é claro, ela não é um servidor do altar. A razão para excluir as mulheres deriva do que se disse acima sobre a natureza pública e litúrgica da função do serviço do altar, que envolve uma espécie de liderança espiritual do povo católico.

Em seu comentário sobre a presente questão, o Pe. O’Connell diz: “Apesar dele [o servidor] dever ser um clérigo, na prática, servidores que não sejam clérigos são permitidos” (The Celebration of Mass, p. 365). Isso é confirmado pela sessão no Missal que enumera os defeitos que podem ocorrer durante a celebração: “se nenhum clérigo ou outra pessoa que possa servir estiver presente, ou se a pessoa presente é alguém que não pode servir, como uma mulher” (X, 1). Isso claramente significa que um homem não-clérigo pode servir e que isso não é um defeito; portanto trata-se de um costume universal.

Se os garotos, frequentemente, são usados no serviço do altar, é porque eles são todos vocações em potencial, presume-se que sejam castos e virtuosos e têm, ao menos, a possibilidade de tornarem-se clérigos no futuro, se assim for a vontade de Deus. A função, certamente, dá aos garotos uma grande oportunidade de desenvolver seu amor às belas cerimônias da Igreja, sua sacralidade e simbolismo, e, assim, eles vão se acostumar a prestar atenção aos detalhes, como os clérigos.

Porém isso não significa que um homem casado esteja, de algum modo, excluído do serviço. A questão chave, aqui, é lembrar que se trata de uma função pública, com um papel de liderança espiritual no que diz respeito aos fiéis na Missa. Consequentemente, é necessário que esse homem seja casto de acordo com seu estado de vida (castidade marital é uma virtude) e que ele seja um exemplo de virtude e que ele viva, ao menos, sua consagração a Deus realizada em seu batismo. Na verdade, seria muito mais adequado que um homem casado em estado de graça servisse do que um homem solteiro ou um garoto que não possa comungar por não estar em estado de graça, ou cujas vida e obras sejam causa de escândalo. Em cada caso, ele não pode esquecer que ele está cumprindo o papel de uma alma consagrada à elevada honra e glória do Deus Todo-Poderoso. A condição importante, porém, é que o homem casado não seja desleixado nas cerimônias, movimentos e respostas em Latim, e que ele preste tanta atenção a desempenhar essas funções quanto um clérigo prestaria, ou como um garoto que as está aprendendo pela primeira vez.

Padre Peter Scott (FSSPX)

À procura da vida interior

A visão imediata de Deus ultrapassa as forças naturais de toda e qualquer inteligência criada, angélica ou humana. Uma inteligência criada pode, em sua atividade natural, conhecer a Deus pelo reflexo de suas perfeições na ordem criada, mas não pode vê-lo diretamente em Si mesmo como Ele se vê.

O anjo e a alma humana só se tornam capazes de um conhecimento sobrenatural de Deus e de um amor sobrenatural por Ele se tiverem recebido este enxerto divino que é a graça habitual ou santificante, participação da natureza divina ou da vida íntima de Deus. Só essa graça, recebida na essência de nossa alma como um dom gratuito, pode torná-la radicalmente capaz de operações propriamente divinas, isto é, de ver a Deus diretamente como Ele se vê e de O amar como Ele se ama.

Em outros termos, a deificação da inteligência, e a da vontade, supõe uma deificação da própria alma (em sua essência), donde derivam essas faculdades.

Essa graça, quando está consumada e inamissível, se chama a glória, e dela procedem, na inteligência dos bem-aventurados do céu, a luz sobrenatural que lhes dá a força de ver a Deus, e, na vontade, a caridade infusa que lhes fez amá-Lo, sem que possam daí em diante desviar-se d’Ele.

Em muitas ocasiões, já o notamos, Jesus repete: “Aquele que crê em mim tem a vida eterna”. Não somente ele vai tê-la mais tarde, mas, num sentido, já a tem, porque a vida da graça é a vida eterna começada.

É, com efeito, a mesma vida em seu fundo, como o germe que está num fruto de carvalho tem a mesma vida que o carvalho desenvolvido; como a alma espiritual da criança pequena é a mesma que, um dia, desabrochará no homem feito.

No fundo, é a mesma vida divina, que está em germe no cristão aqui em baixo, e que está plenamente desabrochada nos santos do céu, que são verdadeiros viventes da vida da eternidade.

É a mesma vida sobrenatural, a mesma graça santificante, que está no justo aqui em baixo e nos santos do céu; é também a mesma caridade infusa, com duas diferenças. Aqui em baixo nós conhecemos a Deus não na claridade da visão, mas na obscuridade da fé infusa; e, além disso, ainda que esperemos possuí-Lo de modo inamissível, aqui embaixo podemos perdê-Lo por nossa culpa.

Mas, apesar dessas duas diferenças, relativas à fé e à esperança, é a mesma vida, porque é a mesma graça santificante e a mesma caridade; elas devem durar eternamente.

UMA CONSEQÜÊNCIA IMPORTANTE

Segue-se, desde agora, do que acabamos de dizer, ao menos uma suposição quanto ao caráter não extraordinário da contemplação infusa dos mistérios da fé e da união com Deus que resulta disso. Esta suposição se confirmará mais e mais a seguir e se tornará uma certeza.

A graça santificante e a caridade, que nos unem a Deus em sua vida íntima, são, com efeito, muito superiores às graças gratis datae e extraordinárias, como a profecia e o dom das línguas, que são apenas sinais da intervenção divina e que por si mesmos não nos unem intimamente a Deus. São Paulo o afirma muito claramente, e SantoTomás o explica muitíssimo bem.

Ora, é da graça santificante, chamada “graça das virtudes e dos dons”, recebida por todos no batismo, e não das graças gratis datae e extraordinárias, que procede, nós o veremos, a contemplação infusa, ato da fé infusa, esclarecida pelos dons da inteligência e da sabedoria. Nisso os teólogos geralmente estão de acordo. Há então, desde agora, uma séria suposição de que a contemplação infusa e a união com Deus que daí resulta não são em si extraordinárias, como a profecia ou o dom das línguas; e, se elas não são em si extraordinárias, serão encontradas na vida normal da santidade.

Uma segunda razão é mais palpável ainda e deriva imediatamente do que acabamos de dizer: a graça santificante, estando por sua própria natureza ordenada para a vida eterna, é também ordenada de si, de modo normal, à disposição próxima perfeita para receber logo a luz da glória.

Com efeito, como a graça santificante é, de si, ordenada à vida eterna, ela também é ordenada a uma disposição próxima para receber a luz da glória logo após a morte, sem passar pelo purgatório. Porque o purgatório é uma pena que supõe uma falta que podia ter sido evitada, e uma insatisfação insuficiente, que podia ter sido completa, se tivéssemos aceitado melhor as penas da vida presente. É certo, com efeito, que alguém só será retido no purgatório pelas faltas que podia ter evitado ou pela negligência em repará-las. Normalmente, deveria ter feito seu purgatório nesta vida, tendo mérito, crescendo no amor, ao invés de fazê-lo depois da morte, sem ter mérito.

Ora, a disposição próxima para receber a luz da glória logo após a morte supõe uma verdadeira purificação, análoga à que se encontra nas almas que vão sair do purgatório, e que têm um desejo ardente da visão beatífica. Esse desejo ardente só existe ordinariamente nesta vida na união com Deus que resulta da contemplação infusa dos mistérios da salvação. Esta parece bem, desde agora, não ser uma graça extraordinária, mas uma graça eminentemente na via normal da santidade.

A VIDA INTERIOR E A CONVERSA ÍNTIMA COM DEUS

Nostra conversatio in coelis est (Nossa conversação está no céu). (Fp 3, 20)

A vida interior, dizíamos nós, supõe o estado de graça, que é o germe da vida da eternidade. Entretanto, o estado de graça, que existe em toda criança após o batismo e em todo penitente que tenha recebido a absolvição de suas faltas, não basta para constituir o que se chama habitualmente a vida interior do cristão. É necessário, ainda, uma luta contra aquilo que nos faria recair no pecado e uma tendência séria da alma para Deus.

Deste ponto de vista, para fazer compreender o que deve ser a vida interior, convém compará-la com a conversa íntima que cada um de nós tem consigo mesmo. Sob a influência da graça, se formos fiéis, essa conversa íntima tende a se elevar, a se transformar e se tornar uma conversa com Deus. Eis aí uma observação elementar; mas as verdades mais vitais e mais profundas são as verdades elementares em que se pensou durante muito tempo, das quais se vive, e que acabam por tornar-se objeto de contemplação quase contínua.

Consideremos sucessivamente essas duas formas de conversa íntima, uma humana, e outra cada vez mais divina ou sobrenatural.

A CONVERSA DE CADA UM CONSIGO MESMO

Desde que o homem cesse de se ocupar exteriormente, de falar com seus semelhantes, desde que se encontre só, mesmo no meio do barulho de uma cidade grande, ele começa a entreter-se consigo mesmo. Se é jovem, pensa frequentemente em seu futuro; se é velho, pensa no passado, e sua experiência feliz ou infeliz da vida fá-lo habitualmente julgar de maneira muito diferente as pessoas e os acontecimentos.

Se o homem permanece essencialmente egoísta, sua conversa íntima consigo mesmo é inspirada pela sensualidade ou pelo orgulho; ele se entretém com o objeto de sua cupidez, de sua inveja, e, como encontra em si mesmo a tristeza, a morte, busca fugir de si, exteriorizar-se, divertir-se para esquecer o vazio e o nada de sua vida.

Assim, a conversa íntima do egoísta consigo mesmo acaba na morte e não é, então, uma vida interior. Seu amor de si o leva a querer fazer-se o centro de tudo, a conduzir tudo a si, as pessoas e as coisas; e, como isso é impossível, ele frequentemente chega ao desencanto e ao desgosto; torna-se insuportável para ele mesmo e para os outros e acaba por se odiar por ter querido amar-se demasiadamente; às vezes acaba por odiar a vida por ter desejado demasiadamente aquilo que há de inferior nela.

Apesar de tudo, nas horas de isolamento, a conversa íntima recomeça, como que para provar ao homem que ela não pode parar. Ele gostaria de interrompê-la, mas não pode. É o fundo da alma, que tem uma necessidade incoercível, à qual precisamos dar uma satisfação. Mas, na realidade, somente Deus pode responder a ela, e precisamos de qualquer modo tomar o caminho que leva a Ele. A alma tem necessidade de se entreter com outro que não seja ela mesma. Por quê? Porque ela não é o seu próprio fim último. Porque o seu fim é o Deus vivo, e porque ela só pode repousar n’Ele. Como diz Santo. Agostinho: “Irrequietum est cor nostrum, Domine, donec requiescat in te”.

São Paulo diz (1 Cor 2, 11): “Pois quem dentre os homens conhece as coisas do homem senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as que são de Deus ninguém as conhece senão o Espírito de Deus.”

Mas o Espírito de Deus manifesta progressivamente às almas de boa vontade o que Deus deseja delas e o que Ele lhes quer dar. Pudéssemos receber docilmente tudo o que Deus nos quer dar! O Senhor diz àqueles que o procuram:  “Tu não me procurarias, se já me não tivesse encontrado.”

Essa manifestação progressiva de Deus à alma que o procura não se dá sem luta; é necessário desembaraçar-se dos laços que são as consequências do pecado, e pouco a pouco desaparece o que São Paulo chama de “homem velho” e se forma “o homem interior”.

Ele escreve aos Romanos (7, 21): “Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, apresenta-se em mim o mal. Deleito-me na lei de Deus, segundo o homem interior. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito.”

O que São Paulo chama de “homem interior” é o que há de principal e mais elevado em nós: a razão esclarecida pela fé e a vontade devem dominar a sensibilidade, comum ao homem e ao animal.

O mesmo São Paulo diz ainda: “Não percamos a coragem; ao contrário, na própria medida em que o homem exterior vai desaparecendo em nós, o homem interior se renova dia a dia.” Sua juventude espiritual é constantemente renovada, como a da águia, pelas graças que recebe todos os dias; assim como o padre que sobe ao altar pode sempre dizer, ainda que tenha 90 anos: “Introibo ad altare Dei, ad Deum qui laetificat juventutem meam — Eu venho ao altar de Deus, ao Deus que alegra a minha juventude” (Sl 13, 4).

À luz dessas palavras inspiradas, que lembram tudo o que Jesus, pregando as Beatitudes, nos prometeu e tudo o que Ele nos deu morrendo por nós, podemos definir a vida interior

É uma vida sobrenatural que, por um verdadeiro espírito de abnegação e de oração, nos fez tender à união com Deus e a ela nos conduz.

Ela implica uma fase em que domina a purificação; outra, de iluminação progressiva, em vista da união com Deus, como ensina toda a Tradição, que distinguiu assim a via purificativa dos iniciantes, a via iluminativa dos que progridem e a via unitiva dos perfeitos.

A vida interior torna-se, assim, cada vez mais uma conversa com Deus, em que pouco a pouco o homem se desprende do egoísmo, do amor-próprio, da sensualidade, do orgulho.

Santo Tomás insistiu muitas vezes neste ponto. Ele o fez particularmente em dois capítulos importantes da Contra Gentes, 1, c. XXI, XXII, sobre os efeitos e os sinais da habitação da Santíssima Trindade em nós.

“O mais próprio da amizade parece ser o conversar na companhia do amigo. Ora, a conversa do homem com Deus consiste em sua contemplação, como já dizia o Apóstolo (Fp 3, 20): ‘Nossa conversação está no céu’. Logo, como o Espírito Santo nos fez amar a Deus, consequentemente somos constituídos como contempladores de Deus pelo Espírito Santo. Por isso diz o Apóstolo: ‘Mas todos temos o rosto descoberto, refletimos, como num espelho, a glória do Senhor, e vemo-nos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandecente, pela ação do Espírito do Senhor’.”

Aqueles que meditarem esses capítulos XXI a XXII do I. IV da Contra Gentes poderão averiguar se, para Sto. Tomás, a contemplação infusa dos mistérios da fé está ou não na via normal da santidade. São Francisco de Sales observa em algum lugar que, enquanto o homem, ao crescer, deve bastar-se e depende cada vez menos de sua mãe, que se lhe torna menos necessária quando ele atinge a idade adulta, e sobretudo a maturidade plena, o homem interior, ao contrário, toma ao crescer cada dia maior consciência de sua filiação divina, que o faz filho de Deus, e se torna cada vez mais criança em face d’Ele, até entrar por assim dizer no seio de Deus; os bem-aventurados no céu permanecem sempre nesse seio de Deus.

Jesu, spes poenitentibus,

Quam pius es petentibus!

Quam bonus te quoerentibus!

Sed quid invenientibus!

Ó Jesus, esperança dos penitentes,

Quão terno sois para aqueles que vos imploram,

Bom para aqueles que vos procuram,

Mas o que não sois para aqueles que vos encontram!

Nec lingua valet dicere

Nec Littera exprimere,

Expertus potest credere

Quid sit Jesum diligere.

Nem a língua pode dizer

Nem a Escritura exprimir

O que é amar ao Salvador;

Aquele que experimentou, pode crer nisso.

Sejamos daqueles que O procuram, a quem está dito: “Tu não me procurarias se já não me tivesses encontrado.”

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Essa funcionalidade nova do WhatsApp é excelente!

Às vezes a gente recebe no WhatsApp, aquele pedido de um amigo e/ou parente, para mandarmos aquela foto ou vídeo, porém muitas vezes não enviamos porque temos medo, já que não sabemos o que podem fazer com esses arquivos. 

Agora, os nossos problemas acabaram, pois o WhatsApp desenvolveu uma funcionalidade nova para o aplicativo: apagar automaticamente essas fotos ou vídeos, assim que a pessoa termina de visualizá-los. 

Entretanto, essa funcionalidade só está disponível para quem tem a versão beta do App. Nos próximos dias o WhatsApp estará disponibilizando a funcionalidade a todos.

Se você já está desfrutando dessa funcionalidade nova, comente logo abaixo. Até a próxima postagem. Não esqueça de salvar nosso blog nos seus favoritos,