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sábado, 3 de janeiro de 2026

Maduro Preso: Por Que o Mal Nunca Compensa (Uma Análise Tomista)

A notícia que amanheceu nos trending topics deste dia 3 de janeiro de 2026 não é apenas um fato político; é uma lição metafísica. A prisão de Nicolás Maduro, confirmada e repercutida globalmente, encerra um ciclo de tirania que, aos olhos da filosofia perene, já carregava em si a semente de sua própria destruição. Não olho para este evento apenas com a lente do noticiário internacional, mas sob a luz da Suma Teológica e do opúsculo De Regno. A queda de um tirano nunca é um acidente; é a consequência inevitável da natureza do mal.

A Natureza do Mal: Privatio Boni

Para entender por que o mal "nunca compensa" — e por que regimes como o de Maduro estavam fadados ao colapso —, precisamos recorrer à definição de mal em Santo Tomás de Aquino. O mal não tem substância própria; ele não é uma essência criada por Deus. O mal é privatio boni, a privação do bem. É uma ausência, um buraco na realidade, assim como a escuridão é apenas a ausência de luz.

Um regime político que se sustenta na mentira, na opressão e na injustiça é, ontologicamente, um "não-ser". Ele carece de fundamento na verdade. Durante anos, a estrutura de poder na Venezuela tentou se manter de pé ignorando a Lei Natural, que ordena que o governo deve servir ao bem comum e não aos apetites privados do governante. Ao agir contra a realidade das coisas, o tirano constrói um castelo sobre a areia. A prisão de Maduro hoje é a manifestação física dessa verdade metafísica: o mal não tem sustentação para durar eternamente. O que não tem "ser" (verdade e bondade) acaba, invariavelmente, ruindo.

O Tirano e o Bem Comum: Uma Leitura do De Regno

Em sua obra De Regno (Do Reino), dedicada ao Rei de Chipre, Santo Tomás é cirúrgico ao definir o tirano: é aquele que governa buscando o próprio benefício, desprezando o bem da multidão. A tirania é considerada o pior dos regimes, pois corrompe o melhor (a monarquia justa) em seu oposto mais vil.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Parousia e Advento: O Chamado Urgente à Conversão Antes do Retorno Glorioso de Cristo

Introdução: O Verdadeiro Sentido da Espera

Neste tempo litúrgico do Advento, os corações cristãos se voltam naturalmente para a manjedoura de Belém. Decoramos nossas casas, acendemos as velas da coroa do Advento e meditamos sobre o mistério da Encarnação: o Verbo que se fez carne e habitou entre nós. No entanto, existe um perigo sutil em limitar nossa visão espiritual apenas ao passado ou à celebração nostálgica do Natal. A liturgia da Igreja e a teologia tomista nos recordam que o Advento possui uma dupla dimensão: celebramos a primeira vinda de Cristo na humildade da carne, mas também nos preparamos, com temor e tremor, para a Sua segunda vinda na glória e majestade: a Parousia.

domingo, 7 de dezembro de 2025

A Imaculada Conceição: Entenda o Dogma, a Teologia e o Preceito da Missa

A Imaculada Conceição: Entenda o Dogma, a Teologia e o Preceito da Missa

No dia 8 de dezembro, a Igreja Católica celebra uma das festas mais sublimes do calendário litúrgico: a Solenidade da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. Mais do que uma simples data comemorativa, este dia marca a recordação de um privilégio singular concedido por Deus àquela que seria a Mãe do Verbo Encarnado.

Para nós, católicos, e estudiosos da teologia sagrada, compreender este mistério não é apenas um exercício intelectual, mas um ato de amor e reverência. Neste artigo, vamos mergulhar nas águas profundas deste dogma, analisar a perspectiva tomista sobre a santidade de Maria e, claro, esclarecer a dúvida prática de muitos fiéis: afinal, é obrigatório ir à Missa nesta data?

terça-feira, 4 de novembro de 2025

A Parábola do Grande Banquete e o Chamado à Graça: Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e São Carlos Borromeu

A parábola do grande banquete, narrada por São Lucas, revela o amor de Deus que convida todos à comunhão com Ele. Mas muitos recusam o chamado. À luz de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, compreendemos o sentido profundo desse convite e, na memória de São Carlos Borromeu, somos inspirados a responder com fé e humildade ao banquete da graça.

Neste dia 4 de novembro, a Igreja celebra a memória de São Carlos Borromeu, bispo e grande reformador do século XVI. A liturgia propõe como Evangelho a parábola do grande banquete (São Lucas 14,15-24), uma das mais belas imagens do Reino de Deus e da vida cristã como convite à comunhão divina.

Mas quem são os convidados desse banquete? Por que alguns recusam e outros são acolhidos? E o que essa parábola tem a ver com São Carlos Borromeu? Para compreender isso, é essencial recorrer à sabedoria dos Padres e Doutores da Igreja, especialmente Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O Culto Verdadeiro: A Fé "Morta" e a Fé "Viva" segundo a Doutrina Tomista

Toda a economia da salvação, desde a Antiga até a Nova Aliança, gira em torno de uma questão fundamental: o que é o “culto verdadeiro”? Quando São Paulo, em sua Epístola aos Romanos (9,4), lista os privilégios de Israel, ele menciona “o culto” (latreia). Este era o culto revelado por Deus, composto de sacrifícios e ritos no Templo — uma sombra e figura da realidade vindoura.

A realidade, como ensinam os Doutores da Igreja, é o único sacrifício perfeito de Cristo na Cruz. Este é o único “culto perfeito”.

Surge, então, a questão para o fiel: como participamos deste culto? Basta “ter fé em Jesus”? Para responder a isso, a precisão escolástica de Santo Tomás de Aquino é indispensável. Ele nos ensina a distinguir entre uma fé que apenas “conhece” e uma fé que “vive” — a diferença entre a fé morta e a fé viva.

sábado, 25 de outubro de 2025

Viver no Espírito: A Chave Tomista para Superar a "Lei da Carne" e Finalmente Dar Frutos

A experiência humana universal é marcada por uma tensão fundamental. O Apóstolo São Paulo a descreveu com maestria: o desejo de aderir ao Bem, à Verdade e à Beleza, e a frustrante realidade de nossa inclinação ao que é inferior, ao que nos degrada. Esta é a batalha entre o que ele chama de “carne” e “Espírito”. Frequentemente, a alma se percebe como uma figueira plantada em boa terra, que recebe sol e chuva, mas que, vergonhosamente, permanece estéril. A pergunta que ecoa pela história da salvação é: “Por que não produzo frutos?”.

A síntese da sabedoria divina, encontrada na Epístola aos Romanos (Rm 8,1-11) e na Parábola da Figueira Estéril (São Lucas 13,1-9), oferece não apenas um diagnóstico, mas a cura definitiva. Sob a ótica de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, “viver no Espírito” não é um vago sentimento piedoso; é uma realidade ontológica, uma transformação metafísica da alma que resolve o dilema da figueira infrutífera. Este artigo disseca, sob a luz tomista, como a graça do Espírito Santo é a resposta para a esterilidade da “carne”.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

A Prisão do Último Centavo: Por que o Evangelho (São Lucas 12,54-59) Aponta para o Purgatório e a Urgência da Conversão

A liturgia diária, na sua sabedoria milenar, frequentemente nos confronta com a realidade da nossa própria existência de forma crua e sem paliativos. O Evangelho proposto (São Lucas 12, 54-59) é um exemplo primoroso dessa pedagogia divina. Nele, Nosso Senhor Jesus Cristo, após admoestar a multidão por saber interpretar o tempo meteorológico mas não o “tempo presente”, encerra com uma parábola jurídica aparentemente simples: a necessidade de se reconciliar com o adversário a caminho do tribunal. Caso contrário, adverte o Mestre, o juiz o entregará ao guarda, e este o lançará “na cadeia”, de onde “não sairás, enquanto não pagares o último centavo” (São Lucas 12, 59).

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

"Escravos da Justiça": O Que São Paulo Realmente Quis Dizer em Romanos 6? (Uma Análise Tomista)

“Escravos da Justiça”: O Que São Paulo Realmente Quis Dizer em Romanos 6? (Uma Análise Tomista)

A linguagem humana, por mais rica que seja, frequentemente tropeça ao tentar descrever as realidades divinas. O Apóstolo São Paulo, mestre da retórica e gigante da teologia, sabia disso melhor do que ninguém. Em sua Carta aos Romanos, ao tentar explicar a transformação radical operada pelo Batismo, ele cunha uma expressão que pode soar paradoxal ao ouvido moderno: “Agora, porém, libertados do pecado, e como escravos de Deus, frutificais para a santidade até à vida eterna” (Rm 6,22).

A confusão se instala no versículo 19, onde ele opõe a escravidão à “impureza” e à “desordem moral” à nova servidão: “ofereceis vossos membros ao serviço da justiça, em vista da vossa santificação”. O que, afinal, é essa “justiça” (dikaiosynē, em grego) à qual devemos nos escravizar?

terça-feira, 14 de outubro de 2025

O Caso Padre Luciano Braga Simplício: O que Santo Tomás e Lefebvre Diriam da Traição no Altar?

As notícias correm como fogo em palha seca nos tempos digitais, e poucas chamas ardem com tanto vigor quanto as que consomem a reputação de um sacerdote. O recente e lamentável vídeo do Padre Luciano Braga Simplício flagrado em situação de pecado com a noiva de um fiel é mais do que uma mera fofoca para consumo rápido; é um espinho cravado no Corpo Místico de Cristo, uma ferida que sangra e causa perplexidade nos fiéis. Diante deste escândalo, a reação inicial pode ser de raiva, decepção ou até mesmo de um cinismo que corrói a fé. Contudo, para não naufragarmos no superficial, devemos buscar luz na perene sabedoria da Igreja, personificada na mente brilhante de Santo Tomás de Aquino e na coragem profética de Dom Marcel Lefebvre. O que eles nos diriam sobre este triste episódio?

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

A Estudante de Direito e o Abismo do Mal: O Que Santo Tomás Diria Sobre a “Serial Killer” de Guarulhos?

 

A notícia chocou o Brasil: uma estudante de Direito, Ana Paula Veloso Fernandes, é investigada como uma “serial killer”, suspeita de envenenar e matar ao menos quatro pessoas com uma frieza e planejamento desconcertantes. A mesma pessoa que deveria estudar as leis para defender a justiça é acusada de pervertê-las da forma mais radical, manipulando cenas de crime, forjando provas e, segundo a polícia, sentindo “prazer em matar”. Diante de um quadro tão sombrio, a mente moderna busca refúgio em categorias psicológicas como “psicopatia”. Contudo, para verdadeiramente perscrutar as profundezas deste abismo, é preciso uma filosofia mais robusta. O que Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, diria sobre este caso? Sua análise nos oferece uma luz potente para entender a anatomia do mal e a trágica capacidade da liberdade humana.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

O Caminho para a Felicidade Verdadeira: Um Guia Tomista para a Alma Inquieta

Todo coração humano, sem exceção, anseia pela felicidade. É a busca que impulsiona nossas ações, desde as mais simples até as mais grandiosas. No entanto, em nossa jornada, frequentemente nos perdemos, procurando essa felicidade duradoura em fontes que só podem oferecer satisfação passageira: a riqueza, o prazer, o poder ou a honra. Como Santo Tomás de Aquino nos ensinaria, esses são bens finitos, incapazes de satisfazer o desejo infinito de nossa alma.

Então, onde encontramos a “felicidade verdadeira”? A liturgia diária nos oferece uma pista poderosa na profecia de Malaquias: o nascer do “Sol da Justiça” (Ml 3,20a). Essa luz vem para dissipar uma escuridão fundamental: a “ignorância sobre Deus”, que nada mais é do que a ignorância sobre nosso propósito final e a fonte de nossa alegria.

Este artigo, inspirado nos princípios tomistas, servirá como um guia para realinhar nossa busca e encontrar o caminho para a beatitudo — a felicidade perfeita e duradoura.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A Ira de Jonas e a Lição da Hera: O que Santo Tomás de Aquino nos Ensina sobre a Misericórdia Divina?

 

A cena é quase desconcertante em sua mesquinhez humana diante do drama cósmico que acabara de se desenrolar. O profeta Jonas, sentado a oriente de Nínive, lamenta-se com uma amargura que o leva a desejar a morte. O motivo? Não o genocídio evitado, não a conversão de cento e vinte mil almas, mas a perda de uma simples planta que lhe dava sombra. Este episódio, narrado no capítulo 4 do Livro de Jonas, revela o abismo entre a lógica humana e a divina. Para iluminar esta passagem, poucas mentes são tão adequadas quanto a de Santo Tomás de Aquino. Analisar a ira de Jonas e a lição da hera sob a ótica tomista é desvendar as raízes do nosso próprio coração e entender por que Santo Tomás de Aquino consideraria a misericórdia de Deus não uma contradição da justiça, mas a sua mais perfeita e transbordante manifestação.

Quem sou eu

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Tomista, dedico-me ao estudo da Filosofia, que pela luz natural da razão nos eleva ao conhecimento das primeiras causas, e da Teologia, a ciência sagrada que, iluminada pela Revelação, a aperfeiçoa e a ordena ao seu verdadeiro fim. Ambas as ciências são para mim os instrumentos para buscar a Verdade subsistente, que é Deus, o fim último para o qual o homem foi criado.