sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Ano Novo do Calendário Católico!

 

Que alegria celebrar a virada do ano pelo Calendário Gregoriano, uma dádiva do Papa Gregório XIII em 1582, através da bula Inter Gravíssimas! Peço desculpas pela empolgação, mas é impossível não se sentir envolvido pelo catolicismo. 

E amanhã, um feriado que devemos agradecer à Igreja, a instituição fundada por Cristo conforme São Mateus 16, 18-19. Não há como escapar, a presença da Igreja Católica é notável em todas as direções. Até mesmo o nome oficial desta cidade é Santa Maria de Belém do Grão-Pará, um testemunho da fé arraigada. Aceitar essa realidade é uma escolha sensata e enriquecedora.

E falando sobre o Te Deum, quem entoar hoje essa bela prece no último dia do calendário católico, estará agraciado com indulgências. Uma oportunidade espiritual que não podemos deixar passar.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

A Comunhão Espiritual

 

A Profunda Significância da Comunhão Espiritual na Vida Cristã

A comunhão espiritual, um conceito profundamente enraizado na teologia tomista e na fé católica apostólica romana, tem sido um pilar essencial na vida devocional de muitos fiéis. Santo Tomás de Aquino, um dos pilares da filosofia e teologia, definiu a comunhão espiritual como um desejo ardente de receber Jesus Cristo sacramentalmente. Esta prática, elogiada pelo sagrado Concílio de Trento, assume uma importância inegável na busca pela proximidade com Cristo.

O relato de experiências místicas, como o episódio de sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Santa Catarina de Senna em Nápoles, reflete a manifestação divina em relação à comunhão espiritual. Jesus Cristo apresentou a ela dois vasos preciosos, um de ouro contendo suas comunhões sacramentais e outro de prata abrigando as espirituais. Isso ilustra a apreciação divina por essa forma de comunhão, onde o desejo sincero de se unir a Ele é considerado de igual valor.

A prática da comunhão espiritual também é atestada na história de um homem virtuoso que ansiava pela comunhão frequente, mesmo em um contexto onde não era comum. Para evitar destacar-se, ele realizava a comunhão espiritual, seguindo um ritual de preparação e abrindo a boca como se recebesse o próprio Jesus Cristo. Essa devoção profunda era recompensada pela sensação de uma sagrada partícula repousando sobre sua língua e uma doçura extrema na alma. Esse exemplo revela como o Senhor honra o fervoroso desejo de Seus servos.

O Beato Pedro Fabro, da Companhia de Jesus, ressaltou a sinergia entre as comunhões espirituais e sacramentais. Ele enfatizou que a comunhão espiritual aprimora a vivência das comunhões sacramentais, evidenciando a interconexão entre essas práticas. Testemunhos de santos como a Beata Angela da Cruz, que praticava cem comunhões espirituais durante o dia e outras cem durante a noite, demonstram como essa devoção intensifica a conexão pessoal com Cristo.

Santo Agostinho sabiamente indicou que uma alma que ama exclusivamente a Jesus Cristo é uma alma que não pode ser recusada por Ele. A comunhão espiritual, livre de restrições como jejum e ministério sacerdotal, oferece uma bela maneira de se unir a Cristo em momentos íntimos. É uma prática flexível, adequada para incorporar à rotina diária, permitindo que os fiéis se aproximem do Senhor com frequência.

A oração e a adoração ao Santíssimo Sacramento são momentos propícios para praticar a comunhão espiritual. Quando o sacerdote comunga durante a missa, um ato de fé profunda, amor sincero, arrependimento pelos pecados e um desejo de união com Cristo podem ser formulados. Essa prática, como exemplificado por venerável Joana da Cruz, nutre a alma e estabelece uma ligação espiritual profunda.

Em última análise, a comunhão espiritual é uma expressão da busca contínua por uma conexão íntima com Jesus Cristo. Baseada em uma profunda teologia tomista e enraizada na fé católica apostólica romana, ela permite que os fiéis experimentem a presença divina em suas vidas diárias. Através desse ato de amor e desejo fervoroso, a alma se aproxima do Divino, encontrando conforto na comunhão espiritual mesmo nos momentos mais simples e silenciosos da vida.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

À procura da vida interior

 

A contemplação direta de Deus transcende os limites inerentes às capacidades naturais de toda inteligência criada, seja ela celestial ou humana. Embora uma mente criada possa, por meio de sua faculdade inata, alcançar o conhecimento de Deus ao perceber o reflexo de Suas perfeições na harmonia do mundo criado, ela não pode, por sua própria natureza, contemplar a Divindade em Sua plenitude, tal como Deus Se percebe.

Tanto os anjos como as almas humanas só são habilitados a adquirir uma compreensão sobrenatural de Deus e nutrir um amor transcendental por Ele quando são agraciados com a infusão divina da graça habitual, um enxerto que resulta na participação da natureza divina e na íntima união com a vida de Deus. É somente através dessa graça, concedida como um presente gratuito e depositada na essência de nossa alma, que esta se torna fundamentalmente apta a exercer operações essencialmente divinas. Isso implica a habilidade de contemplar Deus diretamente em Sua realidade mais profunda, assim como Ele Se contempla, e de amá-Lo da mesma maneira que Ele ama a Si mesmo.