quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Não vos iludais; de Deus não se zomba!

 

É notável a observação sobre como as escolhas do ímpio podem levá-lo à cegueira espiritual, fazendo-o tropeçar em armadilhas que resultam em quedas profundas e duradouras. O mundo, muitas vezes apreciado por aqueles que o ignoram, pode iludir com suas promessas de prosperidade material, ocultando as verdadeiras consequências do pecado.

De fato, as manchas indeléveis deixadas na alma pelo pecado são o verdadeiro prejuízo. É intrigante considerar como escolhas que parecem benéficas, mas que contrariam a vontade divina, podem levar a consequências tão danosas. A analogia com o iceberg é profunda; a arrogância humana pode ser comparada à confiança excessiva no navio Titanic, resultando em uma colisão dolorosa com a realidade.

Thomas Andrews e Alexander Carlisle, exemplos de confiança desmedida, demonstram a importância de não menosprezar a sabedoria divina. A reflexão sobre o livre-arbítrio humano é crucial: Deus permite a liberdade de escolha, mas as ações têm consequências. A ideia de que o Criador não deseja a condenação de ninguém, mas busca a reconciliação e a redenção, é um lembrete poderoso de Sua misericórdia.

A noção de que a escolha errada pode acarretar consequências na vida presente, trazendo consigo a oportunidade de purificação e perdão, é uma visão intrigante. O temor respeitoso por Deus é evidente, e as referências bíblicas enfatizam a importância da escolha certa para evitar a condenação eterna.

A chamada à razão e à fé verdadeira ao fazer escolhas é crucial. O exemplo de não zombar de Deus e a compreensão de que o Criador ama as brincadeiras inocentes reforçam a importância do respeito por Sua vontade. A advertência sobre colher o que se semeia é um lembrete oportuno de que a justiça divina é inevitável.

O contraste entre o deus materialista “Mamon” e a busca pela riqueza espiritual é marcante. Afinal, o que adianta ganhar o mundo material e perder a alma? A lembrança das palavras de Jesus sobre o valor da vida eterna em comparação com os tesouros terrenos é um apelo à reflexão profunda.

A parábola do Rico Insensato destaca a inutilidade de acumular bens materiais sem considerar a eternidade. O pedido de uma escolha consciente e a exortação a escolher a vida ressoam fortemente, lembrando-nos da responsabilidade individual.

Encerro esta reflexão em oração, unindo-me a você:

Alma de Cristo, santificai-me.

Corpo de Cristo, salvai-me.

Sangue de Cristo, inebriai-me.

Água do lado de Cristo, lavai-me.

Paixão de Cristo, confortai-me.

Ó bom Jesus, ouvi-me.

Dentro de Vossas chagas, escondei-me.

Não permitais que me separe de Vós.

Do espírito maligno, defendei-me.

Na hora da minha morte, chamai-me.

E mandai-me ir para Vós, para que Vos louve com os vossos Santos, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Que a paz de Cristo esteja sempre conosco, guiando nossas escolhas e nossos corações.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Santo Tomás de Aquino — A Oração para os Estudos e a Busca pela Sabedoria Divina

 


A busca pela sabedoria é uma jornada que transcende os limites do intelecto humano. Nesse contexto, Santo Tomás de Aquino, uma das figuras mais proeminentes da teologia e filosofia, oferece uma oração poderosa e profunda para aqueles que anseiam pelo conhecimento iluminado pela luz divina. A “Oração para os Estudos” de Santo Tomás é uma expressão eloquente do desejo de alcançar uma compreensão mais profunda, uma mente aguçada e uma língua erudita.

Na oração, Tomás de Aquino invoca o “Infalível Criador”, reconhecendo a fonte suprema da sabedoria e a ordem sublime que permeia o universo. Ele destaca a ordem celestial das hierarquias angelicais, que exemplificam a harmonia divina e a disposição ordenada das coisas criadas. Com essa imagem, ele nos lembra da importância da estrutura e da harmonia no processo de aquisição do conhecimento.

O pecado e a ignorância são identificados como “duplas trevas” que obscurecem a mente humana. Aqui, Santo Tomás reconhece a queda da humanidade e a separação de Deus, que resulta na limitação do entendimento humano. No entanto, ele busca a intervenção divina para dissipar essas trevas e permitir que a luz da verdade divina brilhe sobre a mente humana.

A erudição é comparada à fecundidade da língua das crianças. Isso ressalta a ideia de que, assim como as crianças aprendem a se expressar e a se comunicar, aqueles que buscam o conhecimento devem ser nutridos e guiados pelo próprio Criador. A bênção divina é vista como essencial para capacitar a linguagem humana, tornando-a uma ferramenta poderosa na busca pelo entendimento.

A oração prossegue com uma série de pedidos específicos. Acuracidade para entender, capacidade de reter, sutileza de relevar, facilidade de aprender, graça abundante de falar e escrever — todos esses aspectos são vistos como dons divinos que permitem que o indivíduo se torne um receptor receptivo e expressivo do conhecimento. Aqui, Santo Tomás reconhece a complexidade da aprendizagem e a variedade de habilidades necessárias para absorver e transmitir sabedoria.

A oração conclui com uma invocação a Deus como “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”, ressaltando a dualidade divina e humana de Cristo. Isso não apenas reforça a crença fundamental de Tomás na natureza divina de Cristo, mas também expressa a confiança na intercessão de um Salvador que entende plenamente as lutas e aspirações humanas.

Santo Tomás de Aquino, com sua oração, nos lembra que a busca pela sabedoria é uma jornada espiritual, intelectual e moral. A oração transcende as limitações humanas e busca a iluminação divina para guiar o processo de aprendizado. A harmonia, a luz e a graça são elementos centrais que permeiam essa oração, refletindo a profunda crença de Tomás na integração da fé e da razão.

Portanto, essa oração continua a inspirar e ressoar nos corações daqueles que desejam se aprofundar no conhecimento e na verdade. Ela nos lembra que, ao buscar a sabedoria, estamos também buscando uma conexão mais profunda com o Criador e a realização do nosso propósito como seres humanos dotados de racionalidade e espiritualidade. Que a “Oração para os Estudos” de Santo Tomás de Aquino continue a iluminar os caminhos daqueles que buscam a verdade e a sabedoria divina. Amém.

sábado, 22 de abril de 2017

A Profunda Sabedoria da Amizade segundo São Tomás de Aquino

 

A amizade é um tesouro raro e profundo, uma ligação que transcende o tempo e a distância, enraizada no compartilhamento de valores e objetivos. O filósofo e teólogo São Tomás de Aquino capturou a essência dessa relação em sua máxima: “Idem velle, idem nolle” — querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas. Nesta reflexão, exploraremos a riqueza dessa definição de amizade, destacando como ela se alinha com os princípios tomistas e a busca pela verdade.

São Tomás de Aquino, um dos maiores expoentes da filosofia e teologia cristã, entendia que a verdadeira amizade é forjada nas chamas da afinidade. Amigos genuínos não apenas compartilham alegrias e sucessos, mas também abraçam as dificuldades e desafios comuns. E o cerne dessa ligação reside na harmonia de vontades e rejeições mútuas. Quem compartilha valores, sonhos e ideais semelhantes encontra um terreno fértil para o florescimento da amizade duradoura.

É interessante notar que essa definição não se limita apenas ao âmbito humano. A própria relação entre Deus e o homem pode ser interpretada através desse prisma. Ao desejar a mesma verdade e rejeitar as mesmas falsidades, a alma humana encontra proximidade com o Divino. A busca pela verdade e pela virtude, pilares da filosofia tomista, cria uma base sólida para uma amizade profunda com Deus e, consequentemente, com os semelhantes que compartilham desses anseios.

O pensamento de São Tomás de Aquino também ecoa nas palavras de Olavo de Carvalho, que enfatiza a importância de escolher cuidadosamente as amizades. Ele nos lembra que não devemos nos contentar com relacionamentos mediocrizantes, que apenas nos rebaixam. Ao invés disso, devemos procurar companheiros que nos inspirem a crescer em nossa busca por sabedoria e verdade. Aqueles que não compartilham nossos ideais não são necessariamente inimigos, mas podem ser vistos como oportunidades para exercitar a caridade e a paciência, buscando orientá-los em direção à luz da compreensão.

No âmbito do cristianismo, a noção de amizade também se entrelaça com o conceito de caridade. Amar o próximo como a si mesmo é uma expressão máxima dessa ligação entre pessoas que compartilham o mesmo querer e o mesmo não querer. A caridade nos impele a enxergar além das diferenças superficiais e a buscar a união de almas que desejam o bem comum.

Em conclusão, a definição de amizade segundo São Tomás de Aquino ressoa como um farol na jornada da vida. Ela nos orienta a escolher nossas amizades com sabedoria, buscando aqueles que compartilham nossa busca por valores e verdades profundas. Essa concepção transcende a mera camaradagem, adentrando os reinos da espiritualidade e do divino. Ao seguir esse princípio, encontramos um caminho iluminado para cultivar relações que nos elevam, nos enriquecem e nos conduzem em direção à verdadeira plenitude.

Que a paz de Cristo guie cada um de nós nessa jornada de amizade e busca pela verdade.