Frank Matos

O voto de pobreza


Tomando em consideração o contexto em que vivemos, fazer um voto de pobreza certamente é uma escolha extremamente radical, reservada para os poucos dispostos a seguir esse caminho. Especialmente em uma época em que há grandes oportunidades de acumular riqueza e prosperar financeiramente, essa decisão pode parecer contracorrente. No entanto, é vital lembrar que todos os aspectos deste mundo são efêmeros, destinados a passar com o tempo. Nesse sentido, a busca desenfreada pela prosperidade financeira pode revelar-se uma jornada vazia e sem sentido.

A trajetória de Santo Tomás de Aquino nos oferece um exemplo inspirador nesse contexto. Sua renúncia aos bens materiais familiares e sua entrada na Ordem dos Pregadores refletem uma compreensão profunda da transitoriedade das riquezas terrenas. Ao seguir esse caminho, ele se assemelhou a Jesus, que viveu neste mundo com poucos pertences materiais, além de seus pais, que eram modestos em termos financeiros.

Vale destacar que Jesus, o carpinteiro, exercia uma profissão que, ainda hoje, muitas vezes não é devidamente valorizada em termos financeiros. No Brasil, por exemplo, o salário de um carpinteiro pode ser limitado, como no exemplo mencionado de R$1.500,00. No entanto, essa profissão é de uma importância fundamental, já que a construção de edifícios e estruturas começa com o trabalho do carpinteiro. Sua habilidade de criar andaimes e moldar a base é essencial para o sucesso da obra como um todo.

Na busca por uma vida plena e significativa, é crucial compreender que a abundância material por si só pode não satisfazer o espírito humano. A máxima de “ter muito sem Deus é não ter nada, mas ter pouco com Deus é ter tudo” ressoa profundamente. A verdadeira riqueza reside na conexão espiritual e na busca por valores mais profundos e transcendentais.

No que diz respeito ao voto de pobreza, é uma decisão que requer discernimento e uma compreensão clara de sua motivação. Enquanto para alguns pode ser uma escolha autêntica e inspirada, para outros, pode não ser o caminho adequado. Cada pessoa tem sua jornada espiritual única, e é importante respeitar e compreender as escolhas individuais nesse aspecto.

Em última análise, a reflexão sobre o voto de pobreza nos convida a ponderar sobre o verdadeiro significado da riqueza, da busca espiritual e do propósito em nossas vidas. É um tema que transcende as fronteiras do tempo e da cultura, estimulando-nos a examinar nossas prioridades e a encontrar um equilíbrio entre as demandas materiais e as aspirações do espírito. Pax,

Frank Matos

Somente a Verdade liberta


A única Igreja Católica Apostólica Romana é vista como a depositária da verdade completa, enquanto outras religiões possuem fragmentos dessa verdade, conforme expresso por São Paulo: “… Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade” (I Timóteo 3,15). A Igreja fundada por Jesus (São Mateus 16,18-19) é considerada a única que detém a verdade em sua totalidade.

Aqueles que ainda não encontraram essa verdade são considerados ligados ao pecado, pois a morte de Jesus na cruz concedeu a liberdade para superar o pecado, como é afirmado: “agora já não o seja” (mediante o sacramento da penitência).

O episódio dos ladrões crucificados ao lado de Jesus é frequentemente citado para ilustrar que a salvação é alcançada pela crença em Jesus. Enquanto um dos ladrões creu e foi salvo, o outro não creu e foi condenado. A crença em Jesus, o Verbo encarnado de Deus, é vista como a chave para a salvação, independentemente dos pecados cometidos, já que Jesus reconhece a natureza pecaminosa de todos. Jesus disse: 'Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanecer em mim e eu nele produz muito fruto; porque, SEM MIM, NADA PODEIS FAZER' (São João 15,5). A transformação em uma vida santa é vista como possível apenas com a ação de Jesus através da Eucaristia.

O convite é feito para buscar a VERDADE que é Jesus, o Verbo encarnado, visto que sem Ele não se pode realizar nada. São Paulo expressa essa relação de entrega à fé: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2, 20).

Hoje, há um convite para buscar a verdade em Jesus, pois é considerado que, sem Ele, todas as empreitadas carecem de significado. Amém.

Estamos de volta!


Prezados irmãos em Cristo,

Concedei-nos anunciar o nosso retorno!

É com o auxílio da graça divina e sob a auspiciosa coincidência do dia de meu trigésimo primeiro aniversário (28 de janeiro de 2012), data em que a Santa Igreja Universal reverencia a memória de Santo Tomás de Aquino, Doutor Angélico, que decidi proceder à restauração deste modesto espaço digital. Tal iniciativa vem após a remoção das publicações anteriores, ocorrida há alguns meses, tendo sido removidos os escritos pretéritos que suscitaram discórdias alheias ao propósito da edificação na verdade, ainda que a ausência do material antigo seja digna de lamento.

A razão fundamental desta restauração advém, primariamente, da meditação atenta à luminosa Carta Encíclica “Fides et Ratio”, do Beato Pontífice João Paulo II. Desta leitura, emergiu a clara compreensão da necessidade e do mérito de dedicar este locus àquele cuja festa hoje celebramos, o insigne Santo Tomás de Aquino.

Com efeito, o Sumo Pontífice, guiado pelo Espírito Santo, expôs com clareza a relação essencial entre a Fé e a Razão, dois dons de Deus ao homem para que este ascenda ao conhecimento da Verdade. Suas palavras na mencionada encíclica ressoam profundamente:

“A FÉ E A RAZÃO (fides et ratio) são como as duas asas pelas quais a alma humana ascende à contemplação da verdade. Foi o próprio Deus que inseriu no coração do homem o anseio por conhecer a verdade e, em última instância, por conhecê-Lo, para que, conhecendo-O e amando-O, possa também alcançar a plenitude da verdade a seu próprio respeito” (cf. Ex 33, 18; Sal 27/26, 8-9; 63/62, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2).

Será, pois, sob a luz deste princípio basilar, extraído da sabedoria pontifícia e tão exemplarmente vivido e ensinado por Santo Tomás, que este blog procurará guiar seus passos, aspirando à harmonia entre a fé e a razão na busca pela Verdade que é Deus. Em tempo oportuno, novos escritos serão apresentados, buscando clareza na exposição, ainda que em forma acessível.

Desde já, manifesto minha sincera gratidão a todos os leitores, presentes e futuros, que se dignarem a acompanhar estas reflexões. Que o Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, rogue por nós junto ao Trono da Graça, a fim de que Nosso Senhor Jesus Cristo, Verbo Encarnado e Sabedoria Eterna do Pai, nos ilumine com Sua Luz Divina e nos conceda a graça de penetrar nos divinos mistérios e na ordem da criação.

Pax Christi,

Frank Matos